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ANJL e IBJR reagem às falas contrárias de Haddad sobre bets: "Foco deveria ser mercado ilegal”

ANJL e IBJR reagem às falas contrárias de Haddad sobre bets: "Foco deveria ser mercado ilegal”

ANJL e IBJR reagem às falas contrárias de Haddad sobre bets: "Foco deveria ser mercado ilegal”

Josias Pereira
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As declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em entrevista ao ICL Notícias, geraram forte reação entre representantes do setor regulado de apostas online. Entidades que atuam na defesa da regulamentação criticaram o conteúdo da fala do ministro e publicaram notas públicas para rebater os argumentos.


A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) expressou “surpresa” e “consternação” diante das declarações. Segundo a entidade, “surpresa porque o setor, que tem sido diligente em atender a todas as normas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), não esperava ser alvo de um ataque dessa natureza por parte do ministro. E consternação por acreditar no potencial altamente deletério sobre o mercado dessa avaliação do chefe da pasta sob a qual vem sendo construída a regulamentação do setor.”

Para a ANJL, os problemas mencionados por Haddad — como a lavagem de dinheiro — não dizem respeito às empresas licenciadas, mas sim às plataformas que operam ilegalmente no país, sem autorização ou pagamento de tributos. A associação destaca que essas operações seguem ativas principalmente pela dificuldade do poder público em efetuar o bloqueio de sites irregulares.

Em relação à declaração do ministro sobre a ludopatia, a ANJL afirmou que há concordância quanto ao reconhecimento da questão como um problema de saúde pública. “Sobre o entendimento manifestado pelo ministro Fernando Haddad de que a ludopatia deve ser tratada como um caso de saúde pública, a associação concorda e já se manifestou nesse sentido diversas vezes. É necessário frisar, contudo, que, hoje, o imposto pago pelas casas de apostas legalizadas já prevê destinação de parte desses recursos para a Saúde”, argumenta a entidade.

A ANJL também alertou sobre os riscos de restringir a publicidade no setor. Para a associação, a comunicação responsável tem papel fundamental para informar o público e diferenciá-lo de operações ilegais. A propaganda, segundo a entidade, “quando feita de forma responsável e esclarecedora, ajuda os apostadores a distinguir as bets legais das ilegais e a não cair em golpes.”

Outra manifestação partiu do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que também criticou as falas do ministro. Em nota publicada pelo site Poder360, o instituto declarou “perplexidade” com o posicionamento de Haddad.

  • O IBJR argumentou que o setor regulado já contribuiu de maneira significativa para os cofres públicos. Segundo os dados apresentados, mais de R$ 2,3 bilhões foram pagos apenas em outorgas pelas empresas autorizadas, além de R$ 3 bilhões em tributos e contribuições sociais entre janeiro e maio de 2025, conforme números da Receita Federal.

A nota ainda critica a abordagem do ministro, afirmando que ela ignora o verdadeiro foco do problema: “A visão do ministro desvia o foco do problema real: a evasão fiscal do mercado ilegal, que domina 51% do setor e gera um prejuízo anual de R$ 10 bilhões ao país. Declarações que diminuem a importância do ambiente regulado criam insegurança jurídica, desestimulam investimentos e, na prática, fortalecem as operações ilegais que o governo deveria combater.”

O instituto finaliza reforçando seu compromisso com a regulamentação e com o país: “O IBJR reafirma seu compromisso com o Brasil para a construção de um mercado transparente e gerador de empregos e receitas, com maior proteção ao apostador. Para isso, o trabalho conjunto entre o poder público e empresas do setor é imprescindível.”

O que disse Fernando Haddad contra as bets? 

Durante a entrevista concedida ao ICL Notícias, no dia 21 de julho,o ministro Fernando Haddad expressou grande preocupação com os impactos do mercado de apostas no Brasil, apontando possíveis ligações com crimes e prejuízos sociais. Em suas palavras, a situação atual seria “muito ruim”.

“Nós já estamos informando o Banco Central das fintechs que estão servindo de veículo possivelmente para o crime organizado, ou para lavagem de dinheiro, ou para coisa pior. Então tem muitas coisas a serem vistas. Nós vamos incorporar a Polícia Federal nesse debate porque não é só atribuição do Ministério da Fazenda, tem crime por trás, e eu penso que agora nós temos um quadro para mostrar ao país, nós podemos estampar para o país, nós temos um problema, olha o tamanho do problema que foi criado”, afirmou o ministro, sem especificar se a crítica era voltada a operadores legais ou clandestinos.

Haddad também relatou que, ao assumir o comando da pasta, encontrou um cenário crítico: “epidemia posta”. Segundo ele, houve esforços para informatizar os dados das plataformas de apostas, e agora o tema deve ser levado ao presidente da República.

“O que nós vamos fazer agora? Passados os seis meses, que o Estado finalmente se apropriou das informações, nós vamos levar para a mesa do presidente [Lula] os dados e tratar isso como um problema de saúde pública sério. Um problema sério! Então nós vamos ter que ver, primeiro, a publicidade disso”, disse.

Ao finalizar sua fala, o ministro fez uma crítica direta ao cenário atual: “Se fosse aparecer um projeto na Câmara Federal, continua ou para [a atuação das bets], eu apertava o botão do para. Não tem arrecadação que justifique essa roubada que nós chegamos. É muito ruim o que está acontecendo.”

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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