Apostas ilegais no Norte: 66% dos jogadores usam sites não regulamentados
A Região Norte ocupa a segunda posição no ranking nacional de uso de plataformas de apostas não regulamentadas no Brasil, segundo levantamento do Instituto Locomotiva apoiado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O estudo “Fora do Radar: Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil” mostra que 66% dos apostadores da região admitiram utilizar sites sem licença, percentual superado apenas pelo Centro-Oeste, com 71%.
Essa realidade preocupa autoridades e entidades do setor, pois o mercado paralelo gera perdas fiscais expressivas — estimadas em até R$ 10,8 bilhões anuais — e expõe os jogadores a riscos como golpes, falta de proteção regulatória e ausência de mecanismos de jogo responsável.
Perdas econômicas e vulnerabilidade do apostador
Segundo o estudo, apenas nos três primeiros meses de 2025, o país deixou de arrecadar entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões devido à atuação de plataformas ilegais. Para efeito de comparação, esse valor seria suficiente para pagar o salário anual de até 184 mil professores da educação básica ou financiar a construção de até 41 mil casas populares no programa “Minha Casa, Minha Vida”.
Os dados também revelam a dificuldade do consumidor em identificar sites seguros:
- 78% dos entrevistados consideram difícil distinguir plataformas legais das ilegais;
- 72% afirmam que nem sempre conseguem verificar a regularidade dos sites;
- 46% já depositaram dinheiro em plataformas posteriormente identificadas como falsas ou irregulares.
Entre as práticas comuns dos operadores clandestinos estão o uso de nomes parecidos com marcas legalizadas, mudanças constantes de domínio e publicidade sem controle, muitas vezes feita por influenciadores digitais com promessas enganosas de lucro fácil.
Como identificar plataformas confiáveis
O IBJR reforça que, para apostar com segurança, o consumidor deve buscar apenas plataformas licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Entre as exigências para operar legalmente no Brasil estão:
- Uso obrigatório do domínio “.bet.br”;
- Cadastro com reconhecimento facial para impedir acesso de menores de idade;
- Definição de limites de perdas financeiras e tempo de jogo;
- Transações apenas via PIX ou débito em conta do titular;
- Disponibilidade de mecanismos de autoexclusão para jogadores vulneráveis.
A recomendação das autoridades é que o apostador dê preferência às melhores casas de apostas regulamentadas, que cumprem todas as normas, oferecem suporte ao cliente, garantem transparência nas operações e utilizam tecnologia para identificar comportamentos de risco.
Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, é essencial manter campanhas educativas e comunicação clara sobre os riscos, além de intensificar a fiscalização. “A confusão do consumidor é explorada por operadores ilegais, e isso precisa ser combatido de forma incisiva”, afirma.
Somente com a união entre governo, operadoras regulamentadas e sociedade civil será possível reduzir a incidência de apostas ilegais, proteger o jogador e assegurar que os benefícios econômicos do mercado de apostas regulamentado retornem à população.
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