Governo Lula deve reduzir imposto das bets para salvar MP do IOF
Com o tempo jogando contra, o governo Lula tenta costurar um acordo de última hora para salvar a Medida Provisória que compensa a revogação dos decretos do IOF. A MP perde validade nesta quarta-feira, e a missão do Planalto é clara: aprovar o texto a qualquer custo, ainda que para isso precise abrir mão de parte da arrecadação prevista.
Entre as concessões em discussão, está o alívio na tributação das casas de apostas online, as chamadas bets. Segundo informações da coluna Radar, da revista VEJA, o governo sinalizou a parlamentares do Centrão que aceita reduzir a alíquota sobre o faturamento das empresas de igaming, originalmente aumentada de 12% para 18% em junho.
O relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), tem liderado as negociações e já indicou disposição para retomar a alíquota mais baixa, em busca de apoio político suficiente para aprovar o texto. O plano do governo é acelerar as votações: comissão mista e plenário da Câmara nesta terça, e Senado na quarta.
- No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a desidratação dessa parte da MP não causaria grande impacto fiscal. A estimativa de perda, de R$ 1,7 bilhão em 2026, seria compensada pela chance de atrair votos do Centrão, grupo considerado essencial para garantir a aprovação.
Além do recuo nas bets, o texto também traz outras concessões políticas importantes. Uma delas é a manutenção da isenção de Imposto de Renda para aplicações em Letras de Crédito Imobiliário (LCI), do Agronegócio (LCA) e de Desenvolvimento (LCD). Zarattini chegou a propor a tributação desses títulos, mas recuou para assegurar o apoio da bancada ruralista, que fez forte pressão contra a mudança.
Outra vitória que o Centrão deve levar é a preservação de uma tarifa diferenciada para fintechs, sob o argumento de que essas empresas não devem ser tributadas como os bancos tradicionais.
Nos bastidores do Congresso, aliados do presidente Lula defendem que é melhor aprovar um texto esvaziado do que deixar a medida caducar. Afinal, a MP é considerada peça-chave para o cumprimento da meta fiscal do governo — e perder sua validade seria um revés político e econômico para o Planalto.
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)