Governo pode mirar em bets para diminuir impactos da alta do IOF
O Governo pode mirar nas bets para reduzir os impactos da alta das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciada na semana passada. A ideia foi sugerida por Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na última segunda-feira (26). Na ocasião, ele esteve ao lado de Fernando Haddad, ministro da Fazenda, em evento comemorativo ao Dia da Indústria.
"Não é fácil arrecadar bets, mas a gente poderia, com isso, diminuir, por exemplo, o impacto do IOF e criar alternativa", declarou Mercadante em discurso na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Segundo o gestor, as apostas estão “corroendo as finanças populares”.
Logo após Mercadante, a palavra foi passada a Haddad, que não tocou no assunto durante sua fala. Mas a proposta do presidente BNDES parece ter agradado. Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que é preciso encontrar alternativas para a situação do IOF sem aumento da carga tributária atual.
"Temos que ajudar a encontrar racionalidade tributária. Não só as bets, mas tem as big techs, tem outras alternativas que podem ser politicamente difíceis, mas que nós estamos dispostos, queremos e temos a obrigação de contribuir para encontrar os caminhos mais produtivos e mais convergentes", pontuou Alban.
Apesar das críticas quanto à alta do IOF, Haddad fez questão de ressaltar à imprensa que as taxas já foram superiores aos valores estabelecidos na última correção. A mudança não foi vista com bons olhos pelo mercado, e o Governo precisou recuar em parte das medidas, primeiro no que diz respeito às aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior, e depois à cobrança de IOF sobre remessas ao exterior por parte de pessoas físicas.
"Se vocês fizeram dever de casa e pegar as alíquotas do IOF do governo anterior, vocês vão ver que eram bem maiores que os atuais", declarou Haddad aos jornalistas.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)