Haddad defende legalização de cassinos no Brasil e critica atraso do Congresso: "Inversão de prioridades"
O debate sobre a legalização dos jogos físicos no Brasil voltou ao centro das discussões após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nessa segunda-feira (1), em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, o ministro defendeu abertamente a regulamentação de cassinos e bingos presenciais, classificando a pauta como uma questão econômica estratégica e não meramente moral.
Haddad aproveitou o espaço para questionar a lógica do Congresso Nacional ao ter aprovado anteriormente a regulamentação das apostas esportivas online, sem ter avançado com a legalização dos jogos físicos. Para ele, essa ordem representa uma "inversão de prioridades", já que o ambiente presencial permitiria maior controle e fiscalização da atividade.
"Estranho, de certa maneira, o jogo virtual ter sido aprovado e o jogo presencial não. Qual o sentido? Porque, primeiro, o jogo presencial não é de massa. As massas não entram nos cassinos. É uma coisa localizada, que gera turismo, empregos e arrecadação. Diferentemente de Las Vegas, a maioria dos cassinos no mundo está em lugares bonitos, estratégicos, que atraem turistas e movimentam a economia", ponderou o ministro.
Turismo, empregos e arrecadação: uma visão econômica sobre os jogos presenciais
Ao defender a pauta, Haddad apontou diretamente para os impactos positivos que a legalização de cassinos e bingos poderia gerar, principalmente nos eixos de turismo, geração de empregos formais e atração de investimentos. A ideia do governo é utilizar os jogos presenciais como ferramenta de desenvolvimento regional, especialmente em áreas com vocação turística.
A comparação com o sucesso das apostas online foi inevitável. Desde que a regulamentação do setor foi aprovada, o governo já identificou 30 milhões de CPFs únicos cadastrados em plataformas autorizadas. O número expressivo reforça a popularização dos jogos online no país — realidade que levou o governo a destinar parte da arrecadação com tributos dessas empresas diretamente ao financiamento da saúde pública.
O impasse do Congresso e o jogo político
Apesar da sinalização positiva por parte do Ministério da Fazenda, o projeto de lei que trata da regulamentação de cassinos, bingos e jogos presenciais segue parado no Congresso Nacional. O texto chegou a ser discutido no Senado, mas teve sua votação adiada em julho de 2025, sem nova data definida para apreciação.
Nos bastidores, a tramitação esbarra em resistências ideológicas, especialmente de alas conservadoras, além de interesses conflitantes entre setores da economia e da bancada evangélica.
Jogo do Bicho: a crítica à omissão e o avanço do crime
Haddad também usou a entrevista para tocar em um tema sensível: a permanência do Jogo do Bicho na ilegalidade. O ministro foi direto ao afirmar que a ausência de regulamentação contribui para o fortalecimento do crime organizado e a manutenção de uma cadeia produtiva informal que deixa de gerar empregos legais e arrecadação tributária.
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)