"Já achei menor de idade divulgando casa clandestina: especialista da OAB/SP expõe cenário preocupante
O combate às bets clandestinas ganhou novos reforços com campanhas de conscientização lideradas pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), em parceria com o influenciador Daniel Fortune. A ação “Chega de Bode na Sala” foi lançada em mídias como TV aberta e rádios, alertando para os riscos de sites ilegais.
O paralelo com o “bode na sala” buscou simbolizar o incômodo causado pelas plataformas clandestinas, que oferecem golpes, ausência de proteção ao jogador e riscos financeiros, em contraponto às casas regulamentadas pelo Governo Federal, que operam com segurança e transparência. Nas redes sociais, Daniel Fortune também ampliou o alcance da campanha com conteúdos educativos.
A advogada Beatriz Gimenez Costa, vice-presidente de Comissão da OAB/SP e especialista em compliance no setor de iGaming, reforçou a importância dessa distinção em entrevista ao podcast Debate Bet.
“O mercado clandestino tira muito a oportunidade. Os sites ilegais muitas vezes são espelhos de bets legalizadas e isso é muito grave. Porque muitas vezes o apostador entra no site achando que está numa bet legalizada, mas na verdade não está. Essa campanha do IBJR é muito importante pois reforça como saber que um site está legalizado, que tem o registro, que pode operar com autorização do Governo Federal. Isso é muito relevante”, pontuou.
O trabalho da advogada, em parceria com Daniel Fortune desde abril, também envolve a denúncia de influenciadores que divulgam casas ilegais.
“Uma parte do meu trabalho é encontrar links de influenciadores que estão fazendo divulgação de casas clandestinas para que a gente consiga barrar [ao realizar denúncias diretamente a plataformas como a Meta, para que as melhores providências possam ser tomadas]. Ontem mesmo achei o Instagram de uma menor de idade fazendo divulgação de uma casa clandestina”, relatou.
Ela ainda chamou atenção para falsas promessas de riqueza feitas por influenciadores.
“Hoje a gente vê que há influenciadores fazendo promessas que não existem, ostentando carros muito luxuosos. E tudo isso não dá mais, porque é uma ideia de ostentação que não é real. As apostas são entretenimento, é para ser divertido e não para achar que vai ficar rico”.
A atuação de Daniel Fortune vai além da conscientização. Ele mantém uma das maiores comunidades sobre apostas responsáveis no Brasil, com mais de 390 mil seguidores somados em plataformas como YouTube, Instagram e Telegram. Seu trabalho é complementado por parcerias com o Instituto de Apoio ao Apostador (IAA) e a Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), que oferecem acolhimento e prevenção ao vício em apostas.
“Nossos apostadores têm atendimento psicológico muito além do que a legislação prevê. A regulamentação do Governo Federal prevê tópicos para o operador, mas nós, como influenciadores, também nos preocupamos com a saúde do apostador. E a nossa operação é treinada inclusive para atendimentos de risco, ou seja, conseguimos analisar riscos prévios de ludopatia, e a equipe é treinada para o primeiro atendimento ao apostador. Então se há algum sinal de emergência, eles conseguem atender, acolher o apostador, fazer uma análise e passar para o IAA ou a EBAC seguirem com o atendimento”, destacou Beatriz.
(Foto: Divulgação)