Mais de 15 mil sites de apostas ilegais foram derrubados pela Anatel no primeiro semestre de 2025
O cenário das apostas esportivas no Brasil começa, finalmente, a ganhar contornos mais claros e legais. Após seis meses desde a consolidação das regras do mercado de apostas de quota fixa, o balanço divulgado nesta terça-feira (26) pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda mostra que o país está, aos poucos, colocando ordem na casa.
Entre os destaques do relatório: mais de 15 mil sites ilegais foram retirados do ar pela Anatel desde outubro de 2024, e 17,7 milhões de brasileiros apostaram em plataformas devidamente autorizadas, gerando R$ 17,4 bilhões em receita bruta para as empresas operadoras.
Primeiros resultados concretos da regulação
A fala do secretário Regis Dudena resume bem o momento atual:
“São dados relativos à atuação regulatória, fiscalização e controle. A partir daqui, o debate sobre apostas de quota fixa no Brasil poderá se dar com elementos ainda mais sólidos, propiciando avanços na regulação com base em evidências.”
A regulamentação oficial pode até ter vindo com atraso. A lei é de 2018, mas só ganhou corpo a partir de 2022. Foi só em 2023 que o governo começou a aplicar normas de forma escalonada, que agora, em 2025, estão mais maduras e operacionais.
No primeiro semestre do ano, 66 processos de fiscalização foram abertos, envolvendo 93 empresas, com sanções aplicadas em 35 casos. A SPA está, de fato, colocando pressão no setor.
Três frentes contra o mercado ilegal
A estratégia de combate aos operadores fora da lei está dividida em três pilares principais:
- Derrubada de sites ilegais: A Anatel bloqueou 15.463 domínios desde o início das operações de fiscalização.
- Monitoramento financeiro: Instituições de pagamento estão na mira. 277 transações suspeitas foram comunicadas, resultando no fechamento de 255 contas ligadas a apostas irregulares. A SPA também notificou 13 instituições, levando ao bloqueio de outras 45 contas.
- Corte de publicidade ilegal: Um acordo com grandes plataformas digitais — como Google, Meta, TikTok, Kwai e Amazon — permitiu derrubar 112 páginas de influenciadores e 146 anúncios irregulares de operadores não autorizados.
Quem está apostando no Brasil?
O perfil dos apostadores também foi revelado com mais detalhes. Entre os 17,7 milhões de brasileiros que apostaram em plataformas legalizadas no semestre:
- 71% são homens
- 28,9% são mulheres
- A maioria tem entre 31 e 40 anos (27,8%), seguida por:
- 18 a 25 anos (22,4%)
- 25 a 30 anos (22,2%)
O gasto médio por pessoa ficou em torno de R$ 983 no semestre, ou aproximadamente R$ 164 por mês, segundo dados do sistema SIGAP (Sistema Geral de Gestão de Apostas).
Arrecadação bilionária e impacto fiscal
Com a movimentação intensa, o setor passou a gerar resultados significativos para os cofres públicos. Veja os números:
- Receita bruta (GGR): R$ 17,4 bilhões
- Tributos recolhidos pela Receita Federal: R$ 3,8 bilhões (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, contribuição previdenciária)
- Repasses sociais: R$ 2,14 bilhões destinados a áreas como esporte, cultura e segurança
Outorgas de autorização: R$ 2,2 bilhões - Taxas de fiscalização: R$ 50 milhões
Transparência como regra
De acordo com Dudena, a ideia é manter a sociedade informada sobre cada passo da regulação:
“O objetivo é divulgar periodicamente a atuação da SPA e a evolução do mercado, cumprindo o compromisso do governo com transparência e prestação de contas à sociedade sobre responsabilidades do Estado e do setor privado.”
O recado está dado Depois de anos de faroeste digital, o Brasil começa a dar sinais de que está levando a sério a regulação das apostas esportivas. Os números comprovam o esforço: fiscalização, arrecadação e combate ao mercado ilegal avançam de forma coordenada. E, pelo visto, o jogo está só começando — agora, com regras claras e mais vigilância.
(Foto: Agência Brasil)