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SUS inicia teleatendimento gratuito para combater compulsão por bets

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SUS inicia teleatendimento gratuito para combater compulsão por bets

Bruno Pessa
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Atualização
Tempo de leitura7 min

Foi anunciado ontem, 3 de março, o início do teleatendimento em saúde mental pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com foco em jogos de apostas, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Trata-se de um serviço gratuito direcionado a pessoas a pessoas com 18 anos ou mais que apresentam compulsão por jogos, além de familiares e rede de apoio, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês

“É mais um passo para acolher e ajudar essas pessoas a sair do sofrimento mental que está diretamente associado à compulsão nas apostas eletrônicas que, além de ser um problema de saúde mental, leva ao acometimento financeiro e problemas familiares. Quando olhamos os dados dos CAPs [Centros de Atenção Psicossocial], vemos, nos últimos anos, de 2 mil a 3 mil atendimentos apenas de pessoas que vão presencialmente falar que têm um problema com compulsão de jogos”, afirmou Padilha.

As consultas são realizadas por vídeo, duram em média 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados de cuidado, que podem incluir até 13 consultas por paciente, em grupo com sua rede de apoio ou individualmente. O atendimento é gratuito e confidencial. A equipe é multiprofissional, formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médico psiquiatra quando necessário, além de articulação com assistência social e medicina de família para integração com os serviços locais.

Como acessar o teleatendimento

Para acessar o serviço, o interessado deve se cadastrar por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Para utilizar o novo serviço, é preciso baixar o aplicativo, que está disponível de forma gratuita nas lojas Android, IOS ou na versão web, fazer login com a conta gov.br e, na página inicial, clicar no item “Miniapps”. Em seguida, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.

O interessado terá acesso a um autoteste, baseado em evidências científicas e validado no Brasil por especialistas, com perguntas para identificar sinais de risco e orientar o próximo passo. Se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. Nos casos de menor risco, o aplicativo orienta a procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui desde Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) a Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O Meu SUS Digital também conta com conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto da prática na saúde mental. Além disso, a Ouvidoria do SUS está treinada e preparada para orientações sobre o tema. Os profissionais atendem pelo telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde. Todas as informações seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Um estudo recente apontou que as bets provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente. “Esta ação do Ministério da Saúde é mais uma resposta ao fenômeno recente de comportamentos problemáticos relacionados a jogos e apostas, principalmente online. A procura espontânea por atendimento presencial ainda é baixa, muitas vezes por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade de reconhecer o problema. Desta forma, o teleatendimento foi estruturado justamente para ampliar o acesso ao cuidado de forma reservada, segura e acessível”, diz o ministério.

Capacitação de profissionais da saúde

De acordo com Padilha, a pasta está capacitando os profissionais de saúde para esse atendimento específico, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram oferecidas 20 mil vagas aos trabalhadores da saúde.

“Nós já tivemos 13 mil inscrições para o curso e 1,5 mil já concluíram essa formação. Temos mais 7 mil vagas e acredito que teremos que abrir mais quando esse número acabar. Esse plano de cuidado tem como objetivo, se possível, resolver a compulsão com o teleatendimento. Senão, poder direcionar essa pessoa para o conjunto da Rede de Atenção Psicossocial”, ressaltou.

O teleatendimento faz parte da Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que também contém orientações clínicas encontradas no Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas

Bloqueio por autoexclusão

No conjunto de ações do governo federal para prevenir e auxiliar na compulsão por apostas online, há também a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, para o bloqueio de sites de apostas, disponível desde dezembro de 2025. A ferramenta permite ao apostador, que deseja interromper o vício, solicitar ser bloqueado dos sites de apostas, além de deixar seu CPF indisponível para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das bets.

Pela plataforma, é possível escolher por quanto tempo o apostador deseja bloquear as plataformas: dois meses, seis meses, ou indeterminado. O cadastro pode ser feito pelo endereço eletrônico gov.br/autoexclusaoapostas, utilizando conta gov.br de nível prata ou ouro.

“Mais de 300 mil pessoas já estão se tratando ao se autoexcluir, reduzindo a exposição a esse risco, inclusive com bloqueio das propagandas. E a maioria das pessoas que acessou a plataforma selecionou o bloqueio por tempo indeterminado", aponta Padilha.

Ele destaca que, quando o usuário se autoexclui, por meio do CPF é possível saber qual é o cartão SUS dele e se frequenta alguma Unidade Básica de Saúde. "O esforço é identificar riscos graves de saúde mental e encaminhar essas pessoas para o atendimento corretamente e rapidamente”, finalizou Padilha.

EBAC analisa proteção à saúde mental nas apostas

A medida do SUS ocorre em um momento de expansão do mercado regulado de apostas no Brasil. As plataformas legalizadas no Brasil chegaram a 185 operadores em 2026, todas autorizadas a operar pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

O crescimento da atividade tem ampliado o debate sobre Jogo Responsável, prevenção e assistência aos jogadores em situação de risco. Para Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da EBAC (Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo), o lançamento do teleatendimento é um passo decisivo, especialmente motivado pela robusta transformação do modo de trabalho dos psicólogos proporcionada pela adesão dos usuários aos procedimentos on-line.

“O acesso ao atendimento presencial na rede pública de assistência sempre foi extremamente difícil. Longas filas de espera, espaços físicos distantes e carentes tanto de recursos quanto de profissionais disponíveis, inviabilizavam o encaminhamento de pessoas com transtornos emocionais e sem recursos para o atendimento particular. A partir de 2020, com o advento da pandemia, observamos uma ampla adesão, tanto dos profissionais quanto dos cidadãos, à psicoterapia on-line. Isso, sem nenhuma perda da qualidade e eficácia do atendimento”, esclarece o psicólogo. “O que faltava mesmo era a introdução do teleatendimento na RAPS - Rede de Atenção Psicossocial - para destravar de uma vez por todas o acesso da população a serviços qualificados”, complementa.

Referência nacional em Jogo Responsável, a EBAC atua no desenvolvimento de programas psicoeducativos, capacitação de operadores e implementação de protocolos de prevenção à ludopatia. Recentemente, a empresa lançou o Pulse, ferramenta genuinamente brasileira que identifica, monitora e classifica o nível de risco de compulsividade de usuários dentro das plataformas de apostas.

Segundo Cristiano Costa, a regulação das apostas no Brasil traz consigo uma oportunidade única para obtenção de recursos capazes de financiar uma verdadeira transformação no acesso e nos cuidados em Saúde Mental no país. A assimilação das diretrizes normativas e o cumprimento dos dispositivos obrigatórios de rastreio, manejo e proteção ao apostador é o caminho mais eficaz para enfrentar o problema.

“Quando combinamos tecnologia, regulação e acolhimento em saúde mental, criamos um ecossistema mais seguro. Nosso objetivo é conscientizar o setor e a sociedade que é possível a construção de um ambiente responsável, que garanta ao apostador com perfil de risco o acesso ao tratamento adequado e no momento certo”, afirma.

“Além da ampliação do acesso ao atendimento, campanhas educativas e mecanismos de identificação precoce serão determinantes para equilibrar crescimento econômico e proteção à saúde pública no cenário das apostas online no Brasil”, conclui Cristiano.

Fonte: Agência Brasil e Assessoria de Comunicação

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Apostas não são meio de enriquecimento e podem levar à perda de dinheiro. O jogo pode causar dependência: saiba quando parar! Defina seus limites antes de começar.
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Bruno PessaBruno Pessa
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